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Quanto se ganha
em Portugal?

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Os últimos anos mudaram o mercado de trabalho em Portugal e essas alterações sentem-se no emprego, no desemprego e nos salários. Tanto os trabalhadores do sector público como o sector privado assistiram, em geral, a uma descida dos salários. Saber como se ganha em Portugal implica olhar para outras variáveis, como o género ou a idade.

Quanto ganha por mês em comparação
com os outros portugueses?

Qual era o seu salário mensal (líquido) em 2014?

0%

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Rendimento (€) Número de
trabalhadores 2013
Percentagem total
< 500 € 180650 5,3 %
500 € 297808 8,3 %
600 € 554413 13,6 %
700 € 333939 10,1 %
800 € 329906 10,2 %
900 € 207677 6,8 %
1000 € 210028 6,0 %
1100 € 148710 4,5 %
1200 € 131970 3,4 %
1300 € 113462 2,8 %
1400 € 90896 3,1 %
1500 € 97727 2,4 %
1600 € 82699 2,5 %
1700 € 85942 2,4 %
1800 € 58867 1,9 %
1900 € 63690 1,6 %
2000 € 65883 1,7 %
2100 € 38511 1,2 %
2200 € 30248 1,1 %
2300 € 31402 1,0 %
2400 € 36306 1,0 %
2500 € 16130 0,6 %
2600 € 27266 0,9 %
2700 € 15626 0,5 %
2800 € 27706 0,7 %
2900 € 18072 0,4 %
3000 € 16172 0,7 %
3100 € 21476 0,3 %
3200 € 10764 0,2 %
3300 € 17537 0,5 %
3400 € 8153 0,3 %
3500 € 12296 0,3 %
3600 € 10681 0,3 %
3700 € 2809 0,1 %
3800 € 7593 0,1 %
3900 € 11219 0,2 %
4000 € 91391 2,5 %
Total 3,505,622

MESMO QUEM NÃO PERDEU
O EMPREGO VIU O SALÁRIO BAIXAR

29% dos trabalhadores vivem com menos de 700 euros
de salário mensal

O impacto direto da crise no mercado de trabalho traduziu-se, entre outras coisas, numa descida dos salários. Ainda que, em termos nominais (sem contar com a inflação), o ganho médio dos trabalhadores por contra de outrem tenha subido de 1036 euros para 1093 euros mensais, entre 2009 e 2014, essa diferença representa uma descida real de 2,4%. Como? É que esse valor a mais não chega para compensar a inflação ao longo destes anos. E, além disso, também os funcionários públicos sofreram uma descida dos salários nesse período.

Mesmo os trabalhadores que se conseguiram manter na mesma empresa durante este período foram afetados por cortes salariais. Foi essa a conclusão de um estudo do Banco de Portugal sobre dinâmicas salariais com base nas remunerações declaradas à Segurança Social em 2011 e 2012. No caso das empresas onde houve rotação de trabalhadores, a remuneração média dos que entraram em 2012 foi 11% mais baixa do que a dos trabalhadores que saíram em 2011. Assim, os trabalhadores começaram a perder poder de compra em 2010, pela primeira vez desde 1985, conclui o estudo.

Os salários em Portugal são, tendencialmente baixos. Por exemplo, em 2009, um em cada cinco trabalhadores por conta de outrem (20%) recebiam mensalmente menos de 700 euros pelo seu trabalho.

Essa proporção já era maior em 2014: quase um em cada três trabalhadores por conta de outrem (29%) recebia menos de 700 euros por mês. E os números mostram ainda que 8% de todos os trabalhadores por conta de outrem viviam abaixo do limiar de pobreza. E a par de todas estas situações, estão os casos de trabalho precário, como a falsa prestação de serviços (os chamados falsos recibos verdes).

Os dados mostram que os trabalhadores mais jovens viram o seu ganho médio reduzir-se em cerca de um terço (-31%), sendo esta uma redução quase cinco vezes a verificada no conjunto dos ganhos de todos os trabalhadores (-6,3%). "A forte queda do ganho dos trabalhadores mais jovens revela-se, assim, como a característica mais marcada das alterações ocorridas no mercado de trabalho em termos da idade dos seus participantes", explica o estudo.

E entre as mulheres e os homens continua a haver desigualdade. Enquanto os salários dos homens sofreram uma redução de 1,5% entre 2009 e 2014, os das mulheres diminuiu 10,5%. "Também aqui foi o grupo de menores rendimentos que foi mais afetado pela crise e pelas medidas de austeridade que penalizaram fortemente os ganhos salariais femininos."

Ler mais

O período de ajustamento
retirou €132 ao ganho médio dos trabalhadores portugueses

evolução do ganho mensal equivalente

2009-2014 - VALORES A PREÇOS DE 2014

Ganho bruto

Ganho líquido

Fonte: Rodrigues, C.F., Figueiras,R. e Junqueira,V. (2016). Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal: As Consequências Sociais do Programa de Ajustamento, FFMS.

Nota: Informação baseada nos microdados do ICOR 2010 a 2015.

O aumento das desigualdades está relacionado com a contenção das políticas sociais

Carlos Farinha Rodrigues
Professor do ISEG

Autor do Estudo Desigualdade do Rendimento
e da Pobreza em Portugal

O que aconteceu à
desigualdade salarial
com a crise?

É possível demonstrar que a quebra do rendimento dos funcionários públicos em termos salariais foi muitíssimo superior à do conjunto da economia

Reportagem SIC

play big

O seu salário em 2014
estava acima ou abaixo da média?

(Os dados referem-se aos salários dos trabalhadores por conta de outrem)

INTRODUZA OS DADOS E VEJA A SUA POSIÇÃO EM COMPARAÇÃO COM A MÉDIA NACIONAL

Salário
mensal líquido

money money money

ganha menos do que a média

-

Média

910

sexo

money money money

ganha menos do que a média das mulheres

-

Média

-

idade

money money money

ganha menos do que a média com 35-44 anos

-

Média

-

Nível de escolaridade

money money money

ganha menos do que a média com ensino superior

-

Média

-

Tipo de contrato
de trabalho

money money money

ganha menos do que a média com contrato sem termo

-

Média

-

Tipo de horário

money money money

ganha menos do que a média com horário full-time

-

Média

-

Limpar resultados

Fonte: Rodrigues, C.F., Figueiras, R. e Junqueira,V. (2016). Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal: As Consequências Sociais do Programa de Ajustamento, FFMS.

Nota: Informação baseada nos microdados do ICOR 2015. Os valores deste quadro são uma aproximação à relação entre os vários níveis de ganho salarial líquido de um trabalhador por conta de outrem a tempo completo. As diferentes categorias são calculadas de forma independente.

DESIGUALDADE SALARIAL

ENTRE HOMENS E MULHERES

A igualdade salarial entre mulheres e homens não é constatada em nenhuma atividade económica em Portugal.

Estudo Qualitativo a partir do I Relatório sobre Diferenciações Salariais por Ramos de Atividade, dezembro 2014

AS MULHERES GANHAM MENOS DO QUE OS HOMENS?

% DE REMUNERAÇÃO QUE AS MULHERES AUFERIAM, EM MÉDIA, A MENOS QUE OS HOMENS

REMUNERAÇÕES BASE (2007 - 2014)

Fonte: Quadros de Pessoal

AS MULHERES GANHAM MENOS  DO QUE OS HOMENS?

As respostas de
Sara Falcão Casaca

Professora do ISEG-Universidade de Lisboa, ex-presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade e coordenadora do projeto “Igualdade de Género nas Empresas – Break Even”

COMO TEM EVOLUÍDO A DESIGUALDADE SALARIAL ENTRE HOMENS E MULHERES EM PORTUGAL? A CRISE TEVE ALGUM EFEITO?

É sempre difícil essa avaliação, uma vez que os efeitos da crise são bastante complexos… O que sabemos é que em termos de remunerações de base e de remunerações em geral (incluindo os ganhos), tem havido oscilações de difícil interpretação, em sentidos diferentes no decurso dos últimos anos, que podem remeter para alterações meramente conjunturais.

À exceção da alteração de 2013 para 2014, que temos de acompanhar nos próximos anos, que foi de menos 1,2 pontos percentuais, as oscilações são diminutas. O valor mantém-se muito elevado. E é ainda mais elevado quando observamos a remuneração mensal global (ou seja, os ganhos – onde estão incluídas outras componentes remuneratórias, tais como compensação por trabalho suplementar, isenção de horário, prémios e outros benefícios), o diferencial é de 20% (menos 0,8 p.p. que no ano anterior).

Depois, há padrões que se mantêm: além do maior diferencial quando observadas todas as componentes das remuneração, também o facto de o diferencial salarial, em prejuízo das mulheres, ser diretamente proporcional aos níveis de qualificação. Assim, quanto mais elevado é o nível de qualificação, maior o diferencial: entre as pessoas classificadas na categoria de "Quadros superiores", as mulheres auferem menos 26% nas remunerações de base e menos 28% nas remunerações em geral (ganhos).

O QUE É QUE EM PORTUGAL TEM VINDO A SER FEITO NO SENTIDO DE RESOLVER ESSA DESIGUALDADE?

Penso que a questão tem estado na agenda política. A ex-Secretária de Estado Teresa Morais, por exemplo, procurou pela primeira vez levar o tema à concertação social. O Plano Nacional para a Igualdade em vigor prevê a avaliação anual das diferenciações salariais entre mulheres e homens, por ramo de atividade.

Creio que o atual Governo levará o tema à concertação social. A CITE lançou algumas iniciativas – como é caso da disponibilização de uma calculadora que apoia as empresas nessa aferição.

O nosso projeto que agora terminou (Igualdade de Género nas Empresas – Break Even) deu formação nas empresas nessa área e publicou agora tanto um guião que permite aferir a existência de diferenciações em função do género e um guia que inclui medidas de superação das diferenciações salariais em função do género.

Portanto, há um caminho… mas é claramente um dos domínios em que se tem progredido pouquíssimo.